2.8.04

Rodada 10

"Não percam tempo, vamos ajudá-lo!", grita Reyam. Então ele saca sua espada e salta em direção à criatura. Porém, seu salto não foi poderoso o suficiente e ele não atinge seu intuito de afastar a fera do pobre homem. Ele pousa a alguns metros atrás do carroceiro caído. Este grita por socorro enquanto se arrasta pelo chão, tentando se levantar.

Cambaxirra rasga um dos sacos com seu punhal, procurando um naco de carne que possa ser usado como isca. Encontrando um frango depenado, ele pergunta apressadamente:

"Alguém tem um pedaço de corda? Balrog! Você sabe fazer um laço?"

Quando Balrog estava prestes a pular da carroça, ele ouve o apelo de Cambaxirra. Então pega sua corda e enlaça o frango com um nó rápido e forte. A isca está pronta!

Abraldar faz mira com sua lança na criatura, que reconhece como um javali! Sem parar para pensar, arremessa a pontuda arma. A lança atinge o animal no dorso, mas não tem força para ficar cravada, e cai para o lado. Em seguida, ele saca a espada, desce da carroça, seguindo em direção ao javali, tentando usar ao máximo a proteção do escudo.

O animal, acuado, solta um grunhido e fica parado, mas fitando Reyam e Abrladar.

Rodada 9

Reyam fixa seu olhar na carroça à frente e percebe um movimento entre os sacos de pano. Levemente, coloca a mão sobre a bainha da espada, deixando-a pronta para ser sacada o mais brevemente possível. Sem alteração no tom de voz e mantendo a calma quase gélida, típica de um rastreador, diz:

"Parece que teremos alguma surpresa por aqui... Olhos abertos!"

Abraldar reage à ação do companheiro e põe-se em guarda, preparando sua lança para ser arremessada. Ele tenta encontrar um alvo na carroça, mas não vê nada. Em um tom calmo, pergunta aos outros:

"Alguém notou algo de estranho?"

Cambaxirra saca o punhal e prepara-se para a ação. Olha para todos os lados, procurando alguma coisa estranha, porém não encontra nada além de Reyam e Abraldar, que parecem se preparar para atacar a carroça em frente. Ele não se lembra de haver nada demais na outra carroça, além de sacos e caixas com comida, como pães, carne e batatas, como a carroça em que está agora.

Balrog, ao ver seus companheiros se armarem, levanta-se e percebe o barulho e o movimento que vem da carroça em frente. Então se agacha, escondendo-se de quem possa estar na outra carroça. Prepara seu escudo e espada.

Um dos hommens que está na carroça suspeita vira-se para trás, como que procurando por algo, e então pula para a parte de trás. Neste momento um movimento súbito de um dos sacos derruba-o para fora do veículo!

A carroça dos heróis é freada bruscamente, com os carroceiros gritando com os cavalos, tentando evitar atropelar o amigo caido! Então, uma criatura quadrúpede e escura sai de dentro do saco, pula da carroça e avança sobre o homem no chão!

24.7.04

Rodada 8

Abraldar mantém o pergaminho em seu cinto, coberto pela capa e com o escudo por cima, e responde a Balrog:

"Não posso. Esta mensagem tem como destinatário um oficial do exército, logo ela só pode ser aberta e lida por ele. Se houver algo dentro dela que nos interesse saber, ele nos contará quando for a hora."

"Hehehehehe, esse Abraldar é muito desconfiado... Aposto que se preparou para resistir até a uma bola de fogo sobre o pergaminho com o escudo por cima... hahahaha", pensa Balrog, enquanto Cambaxirra lhe diz, com bom humor:

"Meu caro, você precisaria e muito da ajuda dos deuses se fosse pego com um lacre do general violado... a não ser que saiba como abrir e fechar de novo sem deixar vestígios. Acho que podemos nos revezar na vigilância da estrada. Se ninguém estiver contra, eu pego o primeiro turno enquanto vocês dormem. E peço a Lena que me ajude a permanecer alerta."

"Não sabia que só poderia ser lida por ele, Abraldar. Eu não sei ler, por isso perguntei se você poderia", explica-se o ladrão, entre risos. "Imagina se eu pensaria em algo assim contra um oficial do exército... hehehe... além do mais, falei por falar, nem quero mais saber o que está escrito aí", completa, dirigindo-se em seguida ao bardo com um sorriso amarelo:

"Eu fico com o segundo turno, mas por misericódia, nada de sexo com Lena para ficar alerta."

"E você, Reyam? Conhece essa floresta que estamos adentrando?", pergunta, quebrando o silêncio.

Antes que Reyam possa responder, ele ouve um barunho estranho vindo diretamente da estrada! Reyam percebe então que o barulho veio da outra carroça que os acompanha e que está um pouco à frente.

23.7.04

Rodada 7

Reyam fala, de forma serena:

"Muito bem, temos que ir... sei que cada um aqui tem suas buscas, mas os deuses nos guiaram e nos uniram a essa nova missão. Avante, novos amigos, no caminho vamos conversando mais!"

Os quatro se acomodam na carroça que leva menos carga. A outra está carregada de suprimentos. Dá-se a partida das carroças, na viagem para o sul. Cambaxirra cumprimenta os carroceiros, acomoda-se na carroça da melhor maneira possível e começa a cantar uma balada para animar a viagem:

"Quem um dia irá dizer que existe razão
Quando Lena entra em ação
E quem irá dizer que não existe paixão?
(...)
Elfo Bardo e Ogra eram nada parecidos
Ela matava leão e ele era todo cortês
Ela vestia uma armadura de escamas de dragão
E ele fugia até de cabrito montês
Ela não dava a menor bola pra energia mental
Nem pra magia e meditação
E o Elfo Bardo desprezava a rotina
degola-chacina-massacre-destruição..."

Abraldar, sentado na borda da carroça, solta uma gargalhada e diz:

"Continue, meu caro amigo. Com estas canções a viagem será muito mais curta!"

Somente mais quatro carroceiros os acompanham na jornada. A cidade não é muito grande na parte sul e logo eles se vêem na estrada. Plantações cercam a estrada nos primeiros quilômetros. Logo a floresta começa a dominar as margens e somente o barulho das carroças pode ser ouvido. Ainda é dia.

"Chegaremos na madrugada de amanhã, companheiros, se assim os deuses quiserem", diz um dos carroceiros.

De forma arrogante, Balrog desafia:

"Sei que vocês ainda não confiam em mim, eu acho que entendo isso. Mas, se fosse vocês, não confiaria tanto nos deuses. Eles estão lá no alto, nós aqui em baixo e não vejo nenhum sacerdote por perto para ouvir tanto assim os nomes do panteão."

Virando-me para Abraldar, então, pergunta:

"Abraldar, você deve saber ler. Por que não lê o que está escrito no pergaminho?"

16.7.04

Rodada 6

Cambaxirra retira o seu punhal da viga e o guarda na cintura. Então fala:

"Bem, creio que quanto antes pegarmos a estrada melhor. Reyam, a casa dessa sua amiga fica no caminho?"

Antes que Reyam responda, Abraldar interrompe:

"Vamos então. Vejo que, quanto mais cedo entregarmos isto, mais cedo saberemos que propósito teremos a cumprir nisto tudo. Fiquem de olhos abertos, pois como este novo companheiro nosso antes fazia, outros podem estar de olho em nossos movimentos, porém seus motivos podem não ser tão dignos quanto os dele."

"Não se preocupem por eu estar espionando. Nessa missão, garanto a vocês que nossos inimigos, os (p)orcos, nada sabem sobre isso; sua tática é encontrar e destruir. Mas quero ajudá-los a fazer emboscadas contra os malditos", explica Balrog.

"É bom saber que você está do nosso lado. Mas não gosto de ser espionado, espero que compreenda", diz Cambaxirra, respondendo em seguida a Abraldar: "Vamos, colega. Assim que tivermos uma caneca de cerveja para molhar a garganta, prometo que contarei alguma história que valha a pena."

Balrog então se dirige ao sargento Pedro:

"Senhor, me chamo Balrog, gostaria de entrar como voluntário. Sei atacar com rapidez e silêncio. Se interessar..."

O sargento responde:

"Todos os voluntários são bem vindos. A carta foi escrita indicando apenas três voluntários, mas não haverá problema algum se você oferecer ajuda ao capitão Oxmann. Ele saberá encaixar suas habilidades aos propósitos da missão."

E explica a todos:

"Duas carroças, que estão em frente à torre, partirão para o acampamento, levando suprimentos. Há espaço o suficiente para vocês. Chegarão ao acampamento em um dia de viagem. Boa sorte a vocês e que Crisagom guie suas lâminas!"

Falando isso, ele entrega a carta nas mãos de Abraldar. É um pequeno pergaminho amarrado com um cordão. Um selo vermelho com o brasão do general lacra a correspondência.

Ao seguirem para a torre da cidade, os quatro atravessam a ponte, razão da existência desta cidade. É uma ponte forte e robusta, construída com pedras de tom cinza. Sua forma em arco apresenta uma rara beleza arquitetônica. Várias marcas de sangue negro e fogo marcam o chão da grande construção de pedra. O rio que passa por baixo dela está rápido e caudaloso. Nenhum barco é avistado navegando no momento, somente três que estão ancorados no porto da cidade.

Os heróis avistam a pequena torre de guarda da cidade, com apenas três andares. O telhado de madeira foi arrancado e há um buraco enorme na lateral dela, revelando todo o interior do segundo andar. Em frente, duas carroças, puxadas por um par de cavalos cada, aguarda. Estão carregadas de sacolas e caixas. Quando o grupo se aproxima, o carroceiro pergunta:

"São vocês os voluntários que vão hoje para o acampamento? Se são, subam logo, pois já estamos atrasados. Se quiserem fazer mais alguma coisa na cidade, façam-na agora e rápido!"

10.7.04

Rodada 5

Abraldar sabe que o sargento só é rude assim com seus subordinados. Ele deve ter agido assim devido à pergunta imprópria para o momento em que ele refletia sobre a condição daquela pobre mãe.

Quando o sargento se afasta, com uma careta, Cambaxirra o imita:

"Está pensando o quê rapaz!? Aqui não é a caserna da Guarda da Cidade lá em Elara!"

Abraldar comenta:

"Bem, ele reagiu muito pior do que eu esperava! Ou a situação é muito mais grave do que já aparenta ou... nem sei como continuar. Bem, caro colega, agora que vimos que não vamos conseguir nada de nosso estimado sargento, ainda está disposto a contar a história? Pelo que estou vendo, seria uma boa hora para estarmos a par de tudo o quanto podemos da região... acredito que nossa sobrevivência possa vir a depdender disso num futuro próximo."

Na última frase o tom da voz é sério, sem a usual jovialidade. Cambaxirra então guarda o seu pandeiro na mochila e tira um punhal da cintura, dizendo:

"É, os ânimos aqui não são dos melhores. Pelo jeito, nos próximos dias vou precisar muito mais disso aqui (o punhal) do que de qualquer outra coisa. Principalmente se tivermos que lidar com espiões."

Então, com um giro rápido do corpo ele lança o punhal na direção da figura misteriosa, atingindo uma viga próxima à cabeça dele. Com um leve sorriso na face, Balrog diz:

"Guarde seu brinquedo, bardo elfo. As piadas não salvam ninguém numa guerra, muito menos um punhal desses. O sargento está certo. Vim do sul, da cidade de Rondon. Não encontrei nenhuma horda de orcos, mas vi um grupo de batedores. Resisti à tentação de atacá-los, para saber se o fio da minha espada estava boa. Não tive como chegar mais próximo sem ser descoberto; eu na verdade nem sabia que aqueles porcos haviam atacado Ventara. Ao chegar aqui, por acaso me dirigi a esse templo e, ouvindo tudo o que foi dito, me parece claro o que aconteceu."

Reyam intervém:

"Bem, pessoal, as coisas estão tensas por aqui... vocês viram a reação do sargento? E aquela mulher que se recusa a aceitar a morte do filho? Coitada... Pelo visto teremos grandes acontecimentos. Há uma guardiã nessa região, chamada Vivian, a garota meio-elfo que o sargento mencionou. Eu a conheço, quem sabe ela não possa nos dar mais informações? Aliás, estamos juntos nessa missão?"

Antes que alguém possa responder, o sargento Pedro reorna, trazendo em sua mão um pergaminho enrolado. Com um tom mais contido, porém sério, ele fala:

"Aos voluntários, o general ordena que sigam pela estrada para o sul até o acampamento do exército. Entreguem esta carta ao chefe do acampamento, o capitão Oxmann. No momento isto é só. Ele agradece a colaboração de vocês."

Após isso, estende o pergaminho a Abraldar.

9.7.04

Rodada 4

Reyam agradece ao sargento:

"Obrigado por aceitar minha ajuda... garanto que meus conhecimentos serão muito úteis para que suas tropas cruzem as matas da região em segurança. Quem sabe? Podemos começar a fazer uma patrulha nas redondezas em busca de algo sobre essa situação calamitosa que ainda tento entender!"

E pergunta:

"Sargento, então tivemos um elfo de Âmien que trouxe sorte e prosperidade aos meus irmãos dourados? Que fascinante! Por que não me conta mais?"

O sargento começa a falar o que sabe.

“Bom, isso é o que as pessoas da cidade falam. Eu mesmo só o vi de após a batalha, curando os feridos. Tinha cabelos prateados e olhos de um violeta que eu nunca vou esquecer! A pele bronzeada contrastava com o longo manto branco com ornamentos dourados que vestia. Em sua cinta carregava uma espada diferente, um pouco curva. Fiquei fascinado com aquela figura e comecei a perguntar sobre ele aos aldeões. Seu nome é Mercur, mas não se sabe o nome de sua família. Contam que ele veio de Âmien para se encontrar com uma garota meio-elfo que vivia em uma cabana próxima à floresta da cidade...”

A descrição bate com a dos raros elfos dourados. Roupas com detalhes dourados são usados pelos membros da alta nobreza de Âmien, bem como a espada, que pela descrição do sargento, deve ser um sabre.

Reyam sabe que esta garota a quem ele se refere é a guardiã da floresta local e que seu nome é Vivian.

Neste momento, uma mulher de meia-idade e com aparência sofrida chega à porta do templo. Sua expressão é de preocupação:

“Sargento Pedro, alguma notícia de meu filho?”, pergunta.

“Sim, dona, seu filho mandou avisar que está com saudade de sua comida e que em breve estará aqui”, responde o sargento, com um sorriso largo.

“Ele sempre gostou de meu cozido de peixe. Espero que no dia em que ele volte tenha peixe no mercado para eu fazer seu prato favorito. Obrigado Sargento, e tenha um bom dia.”

A senhora então toma seu rumo com uma expressão mais aliviada. Tão logo ela se afasta, o sorriso do sargento se desmancha, sua face fica séria e ele diz em um tom mais grave:

“Pobre mulher. Seu filho foi para a última batalha e não voltou. Apesar de ter visto o corpo de seu filho ser enterrado, ela se nega a aceitar a realidade. Acredita nesta fantasia, de que seu filho está agora servindo ao exército, e pergunta a todos os soldados por ele. Se respondem que seu filho está morto, ela diz que estão confundindo a pessoa e fica irritada. Então, para evitar transtornos, respondem que não o conhecem. Eu respondo aquilo que ela quer ouvir, assim ela segue para casa e evita problemas. Pobre mulher.”

O sargento fica perdido em pensamentos, vendo a mulher se afastar. Enquanto isso, Cambaxirra e Abraldar travam um despreocupado diálogo:

"Na verdade, meu caro, tenho uma história estranhíssima para contar. O caso é que precisava molhar um pouco a garganta primeiro, porque ela é bem comprida, sabe?", diz Cambaxirra.

"Caro amigo, muito gosto me faria poder convidá-lo para dividir um bom odre de vinho e ouvir sua história, mas o dinheiro me está curto nesse momento... Talvez o meu colega tenha algo para nos ajudar”, responde Abraldar, virando-se para o sargento Pedro.

“Tem alguma coisa que possamos saborear por aí, enquanto esperamos mais voluntários chegarem? Por falar nisso, você pode me adiantar algo a respeito do que pretendem com os voluntários ou só vamos saber quando estivermos diante de uma outra horda de orcos?”, pergunta o jovem guerreiro, com um sorriso brincalhão na face.

“Não há nada para vocês aqui!”, diz o sargento com um olhar sério. Sua face assume uma forma ríspida e ele esbraveja: “Está pensando o quê, rapaz!? Aqui não é a caserna da Guarda da Cidade lá em Elara! Bom, eu esperava por pelo menos quatro voluntários, mas vocês três vão ter de servir! Vou falar agora com o General, antes que você, Abraldar, acabe com o que sobrou do meu bom humor!”

A súbita mudança de humor do sargento Pedro deixa vocês aturdidos. Ele sai do templo de sopetão e segue para a grande casa que há ao lado do templo. Devido ao tamanho da casa, deve pertencer a um grande comerciante, ou ter pertencido ao falecido prefeito. Deve ser ali que o General está!

Cambaxirra então nota uma figura encostada na parede do templo. Parece já estar ali há algum tempo, e perto o suficiente para escutar a conversa!